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quarta-feira, 5 de março de 2014

Quando o morro desceu e ainda assim foi carnaval

Por Israel Dutra em 05 de março de 2014


Quarta-feira de cinzas. Muitos ajustam suas contas com a folia. Um balanço natural dos dias de carnaval.  Pulei nos blocos de SP, vibrei com os foliões de Olinda pela TV, bem como a vitória da Imperadores do Samba em Porto Alegre e o lindo samba-enredo da Salgueiro no Rio. Foi um carnaval e tanto.
No caso do país, foi o primeiro carnaval depois das jornadas de junho. E isso tem muito peso. Menos de cem dias nos separam da copa.  O Brasil mudou muito.  E o carnaval, como uma das maiores expressões do estado de ânimo do povo, foi um sintoma claro. Três questões chamaram a atenção e determinaram o carnaval mais politizado dos últimos anos:
1.       O levante dos garis no Rio.  Um verdadeiro “show” de mobilização e organização. A história se repete. Sindicato vendido faz acordo rebaixado com a prefeitura e com a Comlurb. Assim mesmo, os garis não se entregaram. Passaram por cima da burocracia sindical, pararam 70% da categoria, em que pese o assédio brutal. A imprensa, especialmente a Globo, junto com prefeito Paes, atuou para dizer que não havia greve. As montanhas de lixo, sujando por todas as partes, a cidade mais conhecida do país, em pleno carnaval, falaram por si. A greve segue num impasse. A COMLURB mandou demitir a vanguarda grevista, 300 garis. Entretanto, segue a greve, a sujeira, a mobilização e a queda-de-braço dos garis contra seus inimigos. O fato é que a mobilização já trouxe um sinal claro: mesmo as categorias mais precarizadas e sem tanta tradição de organização sindical estão dispostas a sair às ruas . No caso dos Garis, quebraram preconceitos e acabaram com a suposta “invisibilidade” da profissão. Um salto na consciência de classe. A marchinha que se escutou era “no carnaval, prefeito vai varrer sozinho”. Dias em que o morro desceu e marcou o carnaval carioca.
2.       Uma combinação inteligente de temas sociais e políticos com a diversão e o entretenimento. Algo que sempre salta aos olhos no nosso carnaval, vide os grandes enredos de Joãozinho Trinta e outros,  nos blocos de crítica no nordeste, entre outras expressões, se generalizou em quase todos espaços. E o mais interessante: está sendo assimilada a cultura, mesmo para setores de esquerda, de que não podemos opor as expressões de cultura popular versus a política organizada. A esquerda está aprendendo a falar a linguagem do povo – claro que não é algo simples e imediato-  mas se nota uma integração maior. Estamos aprendendo que o ascenso de massas chega combinado com as nossas festas e paixões populares, como a Copa das Confederações, o carnaval e o futebol em geral. Junto disso, uma ampla crítica ao caráter de fetichismo do espetáculo. Os “grandes momentos” do carnaval televisivo perde espaço para os espaços de diversão mais populares.
3.       E o mais importante: muita gente na rua. Ao contrário do clima de instabilidade e pânico que a direita e setores do governo querem criar para evitar manifestações durante a copa, o que se viu foi uma organização mais espontânea e descentralizada dos blocos. Os foliões em todo o país fizeram sua parte, conferindo uma onda mais associativa e menos passiva às folias de momo. Só em São Paulo foram 200 blocos com média de 5 mil pessoas cada um.  Pensando em todo país, foram dezenas de milhões que escolheram as ruas como principal instrumento de socialização do carnaval. Não que isso seja uma novidade, mas a forma como este tipo de evento está se organizando ganha mais força.
O carnaval de 2014 entrou no ritmo do samba, do frevo, das marchinhas e das jornadas de junho.  Um bom sinal para um ano repleto de mobilizações, greves e incertezas.
Israel Dutra é membro da Direção Nacional do PSOL.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Inserção de TV PSOL Pelotas - Programa 02 - Geral - Janeiro 2014.

Veja no blog do PSOL as inserções de TV do PSOL Pelotas que irão ao ar no inicio de fevereiro. Compartilhe em suas redes sociais. 

sábado, 10 de novembro de 2012

PSOL vota contra isenção de impostos à Fifa durante Copa do Mundo e das Confederações


O PSOL e o PPS foram os únicos partidos a votar contra o Projeto de Lei Complementar 579/2010, que concede isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS) à Federação Internacional de Futebol (FIFA) por causa da Copa das Confederações, em 2013, e da Copa do Mundo, em 2014.
O PLP, do Poder Executivo, permite que o Distrito Federal e os municípios concedam isenção do ISS a todas as empresas contratadas pela FIFA e aos fatos relacionados à realização dos dois eventos. O resultado serão milhões de reais que deixarão de ser arrecadados em prol do aumento do lucro das empresas.
Para o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente, o Brasil não deveria conceder mais benefícios à FIFA, uma entidade privada. “Ela já terá lucros monumentais com a Copa. É dar dinheiro público para garantir o lucro de meia dúzia de cartolas, que inclusive estão sendo investigados por corrupção”, criticou.
Na opinião do parlamentar, se a população brasileira fosse consultada, não aprovaria este tipo de atitude do governo federal e do Poder Legislativo. “São recursos que deixarão de ir para os municípios e, consequentemente, para as áreas de saúde, educação, transporte e habitação. A população paga altos impostos, e o governo federal isenta a FIFA?”, questionou Ivan Valente.
Apesar dos protestos do PSOL, o PLP 579 foi aprovado por 304 votos a 13 e 2 abstenções. O texto será agora votado no Senado.