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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nota do PSOL em resposta às falsas acusações da revista Veja


Diante da matéria publicada na ultima quinta-feira (13), no portal da Revista Veja, intitulada "Vereadores do PSOL financiam black bloc em manifestações", a direção nacional do partido esclarece:
 
1. O PSOL nunca financiou o grupo autodenominado Black Bloc nem quaisquer grupos que tenham cometido atos violentos. E mais, nosso partido não possui identidade com tais agrupamentos anarquistas e repudia seus métodos de ações individualistas e violentas.
 
2. As ilações feitas pelo advogado dos dois rapazes presos de que partidos políticos financiam manifestantes para promover depredações carecem de comprovação por parte do denunciante e em nada podem se referir ao nosso partido. Cabe lembrar que este advogado já defendeu o deputado estadual Natalino, um dos criminosos ligados às milícias no Rio de Janeiro.
 
3. É totalmente absurda a manchete da matéria da Veja. Os dois vereadores citados na matéria (Renato Cinco e Jeferson Moura) foram eleitos pelo partido e somente o primeiro permanece nos quadros partidários (o vereador Jeferson faz parte da Rede de Marina Silva). Afirmar que doação de 300,00 para o movimento social é financiamento de black bloc é uma ofensa à inteligência do povo brasileiro. É papel dos parlamentares, especialmente aqueles comprometidos com a defesa dos direitos do povo, auxiliar os grupos de moradores, estudantes, trabalhadores que lutam por melhorias nas condições de vida.
 
4. No caso divulgado pela revista, o valor de 300 reais é relativo à doação para a Ceia da Miséria, evento natalino promovido por movimentos sociais com os moradores de rua da Cinelândia, realizado em 23 de dezembro do ano passado. Ou seja, nada relacionado com a afirmação falsa que se tenta induzir no título da matéria.
 
5. A orquestração é clara: tentar criminalizar os movimentos sociais que lutam por seus direitos, colocando todos os seus participantes como baderneiros ou até criminosos. E tornar combativos parlamentares em cúmplices da  morte do cinegrafista da Band. E mais, é uma tentativa nítida de atacar nosso partido, primeiro na figura do deputado Marcelo Freixo, agora na pessoa do vereador Renato Cinco, visando impedir a identificação dos que lutam por seus direitos com a plataforma partidária.
 
6. O PSOL não se surpreende com estes ataques. Os brasileiros que assistiram ao filme Tropa de Elite 2 puderam ver de modo claro os mecanismos que utiliza o sistema contra os que defendem a luta contra a corrupção, os esquemas mafiosos e os interesses públicos. O filme é inspirado numa história real: a luta da CPI das milícias que foi dirigida pelo deputado Marcelo Freixo e que levou à prisão mais de 500 bandidos, entre eles inúmeros políticos, como o próprio ex-deputado Natalino citado acima.
 
7) O PSOL não tem ligação com Black Bloc, mas tem profundas ligações com as demandas apresentadas pelas manifestações que tomaram conta do país desde junho. O não atendimento destas demandas pelas autoridades, associada à constante e recorrente violência policial, é o que mantém o povo na rua lutando por seus direitos.
 
8) Nosso partido tem mais de 100 mil filiados em todo o país e milhões de amigos Brasil afora. Continuaremos conclamando todos os nossos militantes a participar das lutas de nosso povo. Continuaremos apoiando atos que reivindiquem melhoria na qualidade dos serviços públicos e denunciem os gastos abusivos nas obras da Copa e denunciaremos todas as provocações e atos irresponsáveis que apenas ajudam a repressão e afastam o povo das ruas.
 
Partido Socialismo e Liberdade - PSOL

Nota do vereador do PSOL/RJ Renato Cinco.

Nota do vereador Renato Cinco sobre a matéria da revista Veja intitulada “Vereadores e delegado aparecem em lista de doadores dos Black Blocs”

Cheguei ontem (13/02) ao Rio de Janeiro e fui surpreendido com a publicação, pela revista Veja, da matéria “Vereadores e delegado aparecem em lista de doadores dos Black Blocs”.
Antes de responder às absurdas acusações da revista, difundidas por outros veículos de imprensa, quero aproveitar a oportunidade para manifestar minha irrestrita solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão do repórter cinematográfico Santiago Andrade, vitimado por uma ação violenta e irresponsável de dois supostos manifestantes na passeata contra o aumento das passagens de ônibus de 6 de fevereiro (quinta-feira). Também quero aproveitar o momento para lamentar a morte do idoso Tasman Amaral Accioly, que estava no local do protesto e, ao se assustar com as inúmeras bombas atiradas pela Polícia Militar, morreu atropelado por um ônibus.

Quanto às inverdades levantadas pela Veja, quero esclarecer o seguinte:

1) Ao contrário do que diz o site da revista, não dei dinheiro para os Black Blocs - que, como sabe qualquer pessoa mais informada (basta pesquisar na internet), não são uma organização, mas uma tática (ou modo de agir) adotada por qualquer um que, de forma anônima, destrua símbolos do capitalismo (bancos , sedes de empresas etc.) e confronte a polícia. Doei trezentos reais para o evento natalino político-cultural “Celebração da Rua - Mais Amor, Menos Capital”, organizado por ativistas do 
#OcupaCâmara - que, aliás, não escondiam de ninguém, inclusive da imprensa e das forças policiais, suas identidades.

2) A atividade “Celebração da Rua - Mais Amor, Menos Capital” aconteceu no dia 23 de dezembro, de forma pacífica, na Cinelândia. Não ocorreram confrontos com a polícia ou a destruição de símbolos do capitalismo. Nela, foram arrecadados e distribuídos, para a população de rua, alimentos e roupas. Além disso, foram promovidos debates e apresentações culturais. Ou seja, foi um evento cultural e beneficente, típico da época natalina (conforme pode ser confirmado na programação do evento e na própria “prestação de contas” divulgada pela Veja, ambas publicadas em anexo).

3) Como já afirmei inúmeras vezes, não concordo com a tática Black Bloc. Tal tática contribui, por conta do enfrentamento entre forças desiguais (os manifestantes e o aparato policial), para esvaziar as mobilizações populares, independentemente da vontade de seus protagonistas. Para mim, somente a mobilização de milhares de pessoas pode promover as necessárias transformações sociais. Por outro lado, é preciso lembrar que, até as mobilizações de junho de 2013, a tática Black Bloc não era difundida no Brasil (ela já existia em vários países). Ela só foi disseminada por aqui como reação à criminosa repressão policial às jornadas de junho, que vitimou milhares de pessoas e vários jornalistas (segundo a Associação Nacional de Jornalismo Investigativo, dos 70 casos de agressões aos jornalistas em protestos populares desde junho, 58 foram promovidos por policiais). Portanto, a escalada da violência somente terá fim com uma mudança radical de atitude das forças repressivas.

4) Repudio, com todas as forças, qualquer tentativa de envolver o PSOL com a morte de Santiago. Tais tentativas são uma forma de criminalizar tanto o partido quanto todos os lutadores sociais. Esperam, assim, evitar que a legítima indignação popular exploda em uma nova onda de manifestações em 2014, prejudicando os negócios escusos e os interesses eleitorais das classes dominantes.

5) Por fim, registro que, enquanto as justas reivindicações dos trabalhadores e da juventude não forem atendidas (pela redução das passagens de ônibus, por serviços públicos gratuitos e de qualidade etc.), continuarei a apoiar e a participar dos protestos populares - um direito garantido pela Constituição Cidadã de 1988.

13 de fevereiro de 2014.
Renato Cinco